O que você está transbordando?

Em 07/10/2019 , Comments

Por Giovanna Zanquetta

 

Você está escrevendo?

 

Há uns 10 anos atrás, eu acho, num encontro no colégio onde estudei, minha professora Adélia me perguntou “você está escrevendo?”. Não lembro o que eu respondi na época, mas a verdade era que não. Eu não estava escrevendo nada além da minha dissertação de mestrado e outras obrigações. Ontem eu assistia a uma aula sobre Espiritualidade, minha maior Paixão, e três perguntas me pegaram de jeito: 1) O que você está fazendo por algo ou alguém? 2) O que você está fazendo pela sua Felicidade? 3) O seu estado geral de Amor tem aumentado? Me toquei de repente que a pergunta da professora Adélia tem muita relação com estas três questões para mim.

 

Deixar Fluir...


Hoje, também não tenho escrito nada além da minha tese de Doutorado e outras obrigações. Mas se escrever é outra das minhas grandes Paixões, se escrever é um dos meus maiores sonhos, por que não utilizar essa habilidade como forma de realizar algo pelo outro, como forma de encontrar a minha Felicidade e como expressão do meu Amor? Bom... eis-me aqui! A partir de hoje eu me comprometo comigo mesma a deixar fluir na escrita os pensamentos e sentimentos que carrego. Espero desta maneira contribuir com a atitude reflexiva de quem desejar me ler, e desejo profundamente ser Feliz e manifestar meu Amor para que ele se amplie cada vez mais a cada dia.


Convido você então a procurar suas próprias respostas a estas questões. Você tem realizado algo que beneficie outras pessoas? Na sua casa, no seu trabalho, na sua comunidade? Alguma atitude sua o coloca a servir de alguma maneira? Como você beneficia sua família? Como você melhora seu ambiente de trabalho? Como você torna a sua cidade, seu Estado, seu país, seu mundo, um lugar melhor? E não me venha com reclamações... Você é responsável sim. Não culpe outros. O que você distribui no seu dia-a-dia? Raiva, tristeza, indignação, medo, preocupação? Ou está doando alegria, tranquilidade, amizade, carinho, força, equilíbrio, verdade, solução?

Aprendi com Confúcio que a Grande Harmonia em escala se inicia com o despertar das virtudes dentro de mim mesma. Que não adianta “lutar pela mudança” se eu não fizer as pazes primeiro comigo mesma e depois com aqueles que me cercam. E acho mesmo que a guerra externa é só um reflexo das pequenas guerras internas de cada um somadas e multiplicadas. Então, que tal se comprometer com a parte que lhe cabe, pelo menos?

O clássico da literatura chinesa “Grande Aprendizado”, atribuído a Confúcio, se inicia com a seguinte frase: “iluminar a virtude iluminada e se aproximar do povo”. Essa virtude iluminada é o que existe de melhor dentro de nós, nossa essência, nossa Natureza Original. É com base nessa nossa essência virtuosa que precisamos nos aproximar das pessoas. É com base nessa Natureza Original que precisamos nos relacionar conosco mesmos e com os outros. Fazendo disso uma prática diária e constante naturalmente acabamos por beneficiar alguém ou algo, porque tudo o que é demais pra caber em si acaba por transbordar. O que você está transbordando?


A segunda pergunta é sobre buscar a própria Felicidade. Acredito que no fundo essa deva ser a nossa prioridade. Não podemos colocar nada nem ninguém à frente da nossa Felicidade. Acontece que, sem aquela primeira base de pensar no outro e de descobrir a nossa função e propósito no mundo com relação às outra pessoas – e não só pessoas, mas todos os seres – podemos incorrer no erro do conceito de Felicidade. Felicidade não é simplesmente o prazer egoísta, a busca desenfreada por satisfação. Felicidade verdadeira nos coloca em comunhão com o Todo, com nosso Deus interno, com os princípios da alegria e da paz que transformam todas as coisas e situações, a tal ponto que mesmo em situações aparentemente difíceis ainda tenhamos algo a agradecer. Sim, Gratidão é algo estreitamente relacionado à Felicidade. O contrário da Gratidão é a reclamação. É possível ter Gratidão sempre. Quanto mais gratos mais felizes somos, e quanto mais gratos, mais Felizes!


A terceira questão é sobre o Amor. O meu estado geral de Amor tem aumentado? Refletindo sobre o meu estado de Amor, penso neste momento em três aspectos: meu amor por mim mesma, meu amor pela minha família e o meu amor pela vida. É claro, que podemos refletir sobre infinitas facetas do amor. Mas a questão é sobre o estado geral de Amor, então compreendo que cada faceta do amor seja manifestação da essência primordial do Amor. Se eu amo meu parceiro/parceira mas permito que ele/ela me diminua significa que o amor por mim mesma está sendo negligenciado. O mesmo para o nosso amor pelos filhos e/ou pelos nossos pais, que jamais deve se transformar em fonte de sofrimento. Não existe aquela máxima “pelo amor ou pela dor”? Então se estamos sofrendo isso é dor, ainda não é o Amor verdadeiro. O Amor anda de mãos dadas com a aceitação, com o respeito e com a alegria. O sofrimento, aliás, é um sinal perfeito de que algo está nos afastando do Amor. Mas cada um tem seus próprios desafios a superar. Casa obstáculo interno que superamos aumenta nosso Amor. Quando superamos a dificuldade de aceitar as escolhas dos nossos pais e/ou dos nossos filhos, nosso estado geral de amor aumenta. Quando superamos nossa autocobrança excessiva, nossa necessidade de sermos aceitos, nossas inseguranças e medos, nosso amor aumenta. É por isso que se diz que o contrário do amor não é o ódio, mas sim o medo.


E assim vou encerrando por aqui, agradecendo ao meu Deus interno por ter me impulsionado a escrever por amor, depois de tanto tempo... Mesmo com a minha filha de três anos correndo ao redor, pulando em cima de mim, e tendo parado algumas vezes para atendê-la, certamente ela é uma das dezenas de pessoas a quem eu agradeço imensamente por ajudarem a iluminar minha vida.

E eu sigo amando... Namastê!

 

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