Aquele abraço

Em 13/05/2019 , Comments

Por Cidinha Graziato

 

Há algum tempo, atendi uma pessoa com dificuldades na área dos relacionamentos afetivos, e em uma das consultas surgiu forte e urgente, para ser olhada, a questão da autoestima, do amor próprio, de gostar de si, se tratar bem...

Essa questão é frequente em muitos dos atendimentos, por mais incrível que pareça, é extremamente comum o fato de muitas das pessoas mais amáveis, doces, acolhedoras, amigas, enfim, aquelas que sabem ser agradáveis com todos à sua volta, serem verdadeiras carrascas de si mesmas.

Essas pessoas, movidas por sua bondade, generosidade, altruísmo, colocam os interesses das pessoas amadas acima dos seus próprios interesses. Muitas vezes, por serem compassivas, compreensivas, empatas, esquecem dos seus sentimentos para acolher e consolar os que a cercam, ouvindo sem reclamar as lamentações alheias.

Quantas vezes a pessoa está triste, desanimada, mas esquece de si para dar atenção e carinho a alguém que a procura em busca de consolo?

No momento, porém, em que vai em busca do mesmo tratamento, vê as pessoas em quem mais confia fugirem do contato, por não terem condição de encarar a fragilidade de quem sempre foi o apoio delas, e o resultado é que se vê sozinha, e nunca recebe o retorno do carinho e da atenção que oferece.

 

CAUSA DA SOLIDÃO

Essas pessoas generosas e meigas, muitas vezes, se encontram diante dessa questão, e em vão perseguem a resposta, porque no fundo não se acham importantes, colocam as próprias necessidades em segundo plano, pois ao olhar as necessidades alheias, não reconhecem as suas, ou as reconhecem como menores, ou até bobas... 

Porém, embora isso talvez seja verdade em alguns momentos, e seja bastante saudável fazer essa avaliação para evitar a vitimização, a verdade é que não existe ninguém que nunca precise de um afago, de um acolhimento.

A falha em reconhecer que também precisa, em alguns momentos, ser apoiada, incentivada, consolada, é motivada por uma visão equivocada acerca de si mesma, já que a pessoa se considera comum, e não se vê como diferente de todas as outras pessoas.

Comete uma injustiça contra si mesma, já que nem todo mudo tem  bondade e disposição iguais às suas, no momento em que é preciso ouvir e ajudar. Bem ao contrário disso, o que fica evidente quando as pessoas em torno dela se afastam ao menor sinal de que ela precisa de ajuda.

Mesmo diante dessa evidência, insiste em não se ver como pessoa boa, de caráter afetuoso, gentil... Considera essas atitudes quase como sua obrigação, um dever que cumpre sem esforço nem arrependimento.

Dessa forma, se condena a ficar isolada de seus entes queridos, como se estivesse escondida atrás de uma permanente e invisível barreira, resultante de uma imagem que, embora possa ser considerada admirável por alguns, também é terrivelmente solitária: a de pessoa autossuficiente, que não precisa da ajuda de ninguém.

Essa imagem que ela exibe externamente é, igualmente, a forma como ela se vê, e por sentir uma identificação com essa força, não consegue demonstrar quando está num momento de mais fragilidade, nem sabe como fazer isso...

 

COMO RECEBER ATENÇÃO?

É claro que não há condições de exigir, de forma alguma, uma atenção que deveria partir de seus entes amados e amigos espontaneamente, como contrapartida do apoio oferecido.

Essa atitude iria trazer pouco resultado, e o que viesse pouco valor teria, em razão da maneira usada para obter algum sucesso nessa direção.

A atenção vinda de fora é, então, difícil de conseguir, caso não se faça nenhuma alteração no comportamento.

Essa mudança é feita interiormente, por meio de reforma íntima, e irá gerar efeito sobre as pessoas do convívio apenas de forma lenta e gradual. O efeito imediato e principal é sentido em seu íntimo, quando a pessoa se propõe a cumprir algumas simples tarefas, que de modo algum são difíceis ou desagradáveis, muito pelo contrário!

 

CINCO PASSOS PARA ELEVAR A AUTOESTIMA

1.º - O primeiro passo, o único que pode apresentar algum grau de dificuldade, é olhar para trás, para o caminho já percorrido na vida, e lembrar com sinceridade o que foi vivido de importante, significativo, o que trouxe aprendizados e levou ao crescimento em relação à consciência, à sabedoria, à maturidade já atingidas.

2. º - O segundo passo, tendo recordado os pontos importantes do trajeto, é identificar as dificuldades encontradas, os obstáculos que surgiram, as dores que o aprendizado causo, mas principalmente lembrar as atitudes que levaram a vencer todas as dificuldades, tristezas, dores, obstáculos, todos os desafios que foram superados e com que forças foram enfrentados, quais foram as características de personalidade que tornaram possível a vitória e a superação de cada um deles.

3.º - Em terceiro lugar, recordar as pessoas que estiveram por perto e representaram algum tipo de ajuda, mesmo que fosse apenas por dar impulso a atitudes e planos, duvidando do sucesso deles, desacreditando dos resultados, ou seja, representando um incentivo a provar que estavam enganadas.

Se, por outro lado, houve ajuda concreta, ou se ela foi apenas o que chamamos de apoio moral e que tem, sim, um valor muito significativo, no final de tudo é preciso agradecer a todas essas pessoas,  expressando o reconhecimento e honrando cada um que ofereceu alguma forma de auxílio ou incentivo.

4.º - O quarto passo é onde começa a diversão, com o princípio da elevação da autoestima propriamente dita. Nele, vale lembrar da única pessoa que esteve presente em absolutamente todos os momentos.

SIM, é hora de honrar e agradecer a quem tornou todo esse progresso possível, e que está dentro do espelho!

É hora de reconhecer que é forte, sábio, e que não tem problema assumir que há momentos em que dificuldades se apresentam, sim, e tudo bem!

ABRIR OS BRAÇOS, UM LARGO SORRISO, E ABRAÇAR ESSA PESSOA INCRÍVEL QUE SABE AJUDAR E, AGORA, TAMBÉM SABE RECEBER AJUDA!

5.º - Daí em diante, o quinto passo é o momento de tomar medidas concretas para expressar esse amor recém redescoberto. Comemorar cada vitória, cada passo do caminho, cada degrau vencido, concretamente se premiar, se agradar, se elogiar e encontrar nisso uma paz que vem do coração preenchido, finalmente, de um amor que é permanente e verdadeiro: o AMOR PRÓPRIO!

 

DESAFIO IRRECUSÁVEL

Agora, depois de desenhar o mapa, eu trago o desafio de tornar isso uma realidade pessoal.

Acha difícil, ou se considera capaz disso?

De qualquer modo, o que de fato importa é dar o primeiro passo, e justamente esse passo pode ser um pouquinho complicado de enfrentar sem ajuda, mas isso não será um problema se você permitir que eu participe desse processo.

Esse é o meu convite. Aceita?

Conheça mais sobre meu trabalho clicando na imagem abaixo.

 

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Um forte abraço.